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Devassidão nos lares II
Pr. Eli Fernandes
26.02.2010

Insisto na pergunta: Estariam mesmo as novelas e os reality shows oferecendo apenas elementos à reflexão, como muitos afirmam? A resposta é: de nenhuma forma. Eles sabem o que estão fazendo? Sabem, sim, que criaram hoje a geração da satisfação, do prazer. Os relacionamentos de consumo imediato – amizades, casamentos, etc. –, são cada vez mais apenas "transitórios, podendo ser rompidos a qualquer momento, unilateralmente". Acompanhem o depoimento da atriz Bruna Lombardi para o livro Evasão de Privacidade, de Palmério Dória: "Meu casamento não é uma fachada, mas, se amanhã eu tiver vontade de ir embora com outra pessoa, vou. A vida é muito curta para ser vivida sob o peso da formalidade". O professor Lourenço Rega afirma que o paradigna nietzscheano vai se confirmando: da resignação do "tô nem aí" da música "deixa a vida me levar", de Zeca Pagodinho, às promiscuidades sexuais de uma nova ordem cultural, desde a vida real à virtual. "Se a sexualidade for vivida, conforme os meios massivos de comunicação anunciam, ela se tornará animalesca e selvagem, fruto da vida instintiva", ratifica Rega.



Vejam só qual foi o tema da redação do vestibular da Unifesp de 2009 - "A Telenovela Brasileira: conscientização ou alienação?". Quando os "de fora da igreja", como os articulistas da Jovem Pan, denunciam dramaticamente o conteúdo de uma novela como "Viver a Vida", cujo tema principal, mostrado de forma engraçada e aceitável, é o da traição e adultério, levando o telespectador ao absurdo de torcer para que um irmão traia o outro, ficando com sua namorada", achamos mesmo que é tão somente para levar o povo a pensar e debater? Ou é a sedimentação dessa tal nova sociedade da gratificação, que teria chegado pra ficar? "A traição nessa novela é a mola mestra da máquina, todos os personagens se traem, e isso é mostrado de forma comum, simples, corriqueira", conclui a Jovem Pan.



Já nos referimos a um estudo analisando 115 novelas transmitidas pela Globo desde 1965, encomendada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que propõe que há uma ligação entre as populares novelas da TV Globo e um aumento no número de divórcios no Brasil, nas últimas décadas. Na pesquisa, foi feito um cruzamento de informações extraídas de censos nos anos 70, 80 e 90 e dados sobre a expansão do sinal da Globo - cujas novelas chegavam a 98% dos municípios do país na década de 90. Seus autores, Alberto Chong e Eliana La Ferrare, afirmam que "a parcela de mulheres que se separaram ou se divorciaram aumentou significativamente depois que o sinal da Globo se tornou disponível nas cidades do Brasil".



Essas informações, oriundas de pesquisas científicas, são mais do que suficientes para concluirmos que as novelas fazem mais mal do que bem. O que dizer dos enredos das novelas? Que relação há entre o enredo das novelas e o aumento de casais separados no interior de nosso País? No próximo domingo responderemos essas questões concluindo esta matéria.

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